Porto Velho, 07 de Fevereiro de 2012

AMAZONAS

Ribeirinhos expulsam fiscais do Instituto Chico Mendes

15/03/10 às 20:07 | maskate
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Duas mil pessoas nas ruas armadas de pau e pedra sacudiram a poeira de Lábrea e mandaram a equipe de analistas ambientais do ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), do Ministério do Meio Ambiente, pegar o beco. Eles cercaram por 11 horas na última quinta-feira, e só sossegaram quando os xiitas do MMA deixaram a cidade. Não havia uma liderança específica, era o povo mesmo, entalado e humilhado com a histórica perseguição federal, desde os tempos sanguinolentos do IBAMA. Em meio à movimentação estavam a secretário de Desenvolvimento Sustentável, Nádia Ferreira, que mostrou o que a baiana tem, além de políticos, madeireiros e trabalhadores do setor florestal. O prefeito Gean de Campos Barros (PMDB) não arredou o pé. Dois fiscais ficaram retidos dentro de um hotel e outros na casa de um deles. Escoltados por cerca de 30 policiais militares, eles foram levados de avião para Rondônia, onde chegaram na sexta-feira.

 

Arrogância ambiental

O estopim foi aceso pelo fechamento de serrarias e movelarias da cidade, pondo na rua da amargura diversos trabalhadores. Além da arbitrariedade, a equipe aplicou multas por falta de comprovação da origem da madeira. Os fiscais realizavam a Operação Matrinxã para combater a extração ilegal de madeira da Reserva Extrativista Médio Purus e coibir a retirada de areia das margens do rio Purus para obras do governo estadual. Ou seja, o Ministério do Meio Ambiente mandou multar os trabalhadores ligados ao Ministério das Minas e Energia. Aí o caldo entornou. Duas mil pessoas foram para as ruas protestar contra a operação. Segundo o Instituto Chico Mendes, as analistas ambientais Adriana Gomes e Branca Tressold ficaram retidas dentro da residência do órgão. Foram xingadas e ameaçadas com pedras e pedaços de paus. A mesma situação enfrentou os servidores Antônio Vieira e Bento Arruda, que estavam hospedados em um hotel.

 

Escritório fechado

Segundo a jornalista Kátia Brasil, da Agência Folha, o presidente do ICMbio, Rômulo Mello, disse que os manifestantes foram mobilizados por políticos locais. O escritório do instituto foi fechado temporariamente. "Eles constrangeram nossos técnicos, jogaram pedras nas casas deles e tivemos que retirá-los em função de não ter condições de colocar uma força grande imediatamente, mas estaremos voltando em breve para dar continuidade ao nosso trabalho". Sobre o envolvimento da secretária Nádia Ferreira na manifestação, Rômulo Mello disse que ela ligou tentando equacionar o problema por telefone. Exigiu que uma servidora do instituto participasse de reunião com os multados e explicasse a ação de fiscalização.

 

Exibicionismo e arbitrariedade

A história da repressão ambiental no Amazonas é marcada por exibicionismo e arbitrariedade. Um estado que tem mais de 95% de sua cobertura vegetal original conservada não pode ser tratado com o rigor e a força policial que os estados do Pará e Rondônia exigem pelos estragos perversos que alguns depredadores provocam. A economia de Lábrea é de extrativismo de castanha, um pouco de borracha, oleaginosas e madeira. Em lugar de reprimir o poder público deve incentivar o manejo, o corte racional das espécies para sua rebrota e renovação. Eles desembarcam na região e não sabem a diferença entre carimbó e calypso, toada e xaxado, e vêm defecar regra na cabeça já maltratada dos ribeirinhos esquecidos. Enquanto isso, a construção civil paga preços exorbitantes pela madeira que entra em estado de escassez assustador, quando a realidade poderia ser outra se houvesse uma política florestal adequada, justa e sustentável socialmente.

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