Vida do líder espiritual Chico Xavier
CINEMAChico Xavier03/04/10 às 10:52 | CINEMA.COM.BR
Chico Xavier
Filme
trailerVida do líder espiritual Chico Xavier Análise do Editor6 de 13 pessoas consideraram esta análise útil
“Chico Xavier” abre com a imagem de um conta-gotas, que o protagonista vivido por Nelson Xavier usa para pingar colírio nos olhos. Consciente ou não, o diretor Daniel Filho assume uma das missões de seu filme sobre o maior médium brasileiro: fazer chorar.A primeira cena também é reveladora: em 1971, Chico participou de “Pinga Fogo”, um programa de entrevistas na TV Tupi. No filme, as falas do médium no programa nos chegam truncadas, editadas pelo diretor do programa dentro do filme, vivido por Tony Ramos. Na proposta do diretor, a figura de Chico funciona apenas enquanto espetáculo, da TV e do cinema, sendo mais importante que as ideias difundidas pelo médium mineiro – estas só vão aparecer na íntegra ao final, nos créditos, em imagens de arquivo. São muitos os defeitos do filme. A passagem de Chico criança, sua infância na cidade de Pedro Leopoldo (MG), é proporcionalmente grande no filme. Ângelo Antonio, o Chico jovem, tem um espaço merecido, mas a última fase, de Nelson Xavier, é desvalorizada – não há espaço para uma única grande cena do ator veterano. A representação de Emmanuel, o espírito-guia de Chico, é problemática: um homem alto, de branco, com maquiagem carregada, que ora fala sério ora brinca com seu eleito, em cenários-clichês do espiritismo como a cachoeira ou a sombra de uma árvore frondosa. Há um excesso de participações rápidas de atores globais que saturam a narrativa e nem tem tempo de oferecer boas interpretações – já nos primeiros 15 minutos, somos introduzidos à mãe, madrinha e madrasta de Chico, vividas por ninguém menos que Letícia Sabatella, Giulia Gam e Giovanna Antonelli, em breves e descartáveis aparições. Diretor de TV antes que de cinema, Daniel Filho emula em seu filme vários gêneros e formatos da Globo: o melodrama, o “Caso Verdade” (os pais que perderam o filho assassinado, vividos por Tony Ramos e Christiane Torloni), o humor de anedota à la “Zorra Total”. O que é evidentemente um problema. Entre os poucos ganhos, o fato de Daniel nunca ter sido ligado ao espiritismo ou outras religiões tira o filme do plano da santificação – ele está mais preocupado em elaborar um retrato do homem polêmico, algumas vezes atormentado, outras bem-humorado, até vaidoso, do que em mostrar um ser de luz sem falhas. E Torloni, como a mãe inconformada que busca forças para superar a perda do filho, representa com dignidade um dos grandes pilares da influência de Chico: oferecer caminhos e alternativas para lidar com a morte. Mas não importa o que se escreva aqui: com o sucesso de “Bezerra de Menezes” no ano passado (mais de 500 mil espectadores), a nova onda espírita com novela e série na Globo, os novos filmes (como “Nosso Lar”) e a enxurrada de estrelas globais devem garantir a posição de “Chico Xavier”, o filme, entre as maiores bilheterias nacionais do ano. |
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