O candidato do PMDB ao Governo, Confúcio Moura, até poderá estar preparado para governar Rondônia, mas terá que esfacelar sua gestão e dividir o mandato com o PT, PSB e ex-senador Expedito Junior que entraram no segundo turno na condição de abocanhar pelo menos parte dos cargos comissionados, o que é normal em qualquer composição política. A análise é do jornalista Afonso Looks, editor do jornal Correio de Notícias de Vilhena.
Segundo ele, o apoio destes partidos, além do próprio PMDB foi condicionado à divisão de cargos o que poderá descaracterizar o provável governo de Confúcio que enfrentará problemas entre atender os acordos e cumprir o seu programa de governo. Isso pelo menos no início do seu governo, caso vença as eleições. Um exemplo clássico disso foi a eleição do prefeito José Rover que até agora ainda padece por ter que abrigar membros de 14 partidos que o apoiaram nas eleições de 2008.
Alguns veículos de comunicação até arriscam com quem ficarão determinadas secretarias e que não e segredo para ninguém.
A senadora Fátima Cleide (PT), por exemplo, deverá assumir a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). A estratégia do PMDB é curiosa e até salutar, do ponto de vista político. Com o Partido dos Trabalhadores comandando a educação significa dizer que Confúcio estará livre das costumeiras greves promovidas pelo Sintero, na sua grande maioria gerenciada por petistas. Confúcio sabe muito bem que independente de conceder aumentos de salário, a categoria, historicamente sempre se posiciona contra qualquer governo e não vota em quem está no poder. Não seria diferente com o seu governo.
Mas caso Confúcio vença as eleições, terá que dispor de secretarias importantes como a Agricultura e Emater que devem ir para o controle dos Democratas (DEM).
O Departamento Estadual de Estradas e Rodagem (DER) será obrigatoriamente controlado pelo PDT que tem nos seus dois maiores expoentes políticos, o candidato a vice-governador Airton Gugacz e o senador Acir Gurgacz, os poderosos do transporte urbano, interesses privados.