GERALPrevenção de câncer: mais um ?superpoder? da aspirina12/12/10 às 18:20 |
Há milhares de anos, a aspirina é a superdroga da humanidade. Extratos do salgueiro têm sido usados para alívio da dor desde a Grécia Antiga. Em 1897, um derivado sintético (ácido acetilsalicílico) do ingrediente ativo da planta foi criado. Isso permitiu que a aspirina se tornasse o remédio mais usado no mundo. Recentemente, seus benefícios como uma droga capaz de afinar o sangue levaram a aspirina a ser receitada em doses baixas de cerca de 50 mg para reduzir o número de mortes por derrames e ataques cardíacos. Também existiam indicações de que a aspirina poderia ajudar a prevenir alguns tipos de câncer. Mas estas pistas eram, em geral, baseadas em estudos observacionais, que podem ser enganadores. O padrão máximo da prova científica são os estudos de controle randomizados, de preferência aqueles realizados com muitos participantes e por um longo período de tempo. Os resultados de um estudo como este, publicado no Lancet, sugerem que a aspirina é, de fato, um remédio surpreendente. Os estudos foram iniciados para observar o quão útil o medicamento seria para prevenir infartos e derrames, mas os dados recolhidos a partir de 25,7 mil pacientes, em oito estudos, também trouxeram revelações sobre o câncer. Em estudos com duração de quatro a oito anos, os pacientes que receberam aspirina eram 21% menos suscetíveis a morrer de câncer do que aqueles que receberam um placebo. Como os resultados se basearam em 674 mortes por câncer, é improvável que representem as mesmas anomalias estatísticas que ocasionalmente afetam os estudos de risco de câncer e viram manchete. Os benefícios da aspirina também ficaram aparentes muitos anos após o fim dos estudos. Depois de cinco anos, as taxas de morte por câncer caíram em 35%. No caso do câncer gastrointestinal, a queda foi de 54%. Um acompanhamento em longo prazo mostrou que o risco de mortes por câncer em um período de 20 anos permaneceu 20% menor entre os pacientes que tomaram aspirina. O estudo revela que seus efeitos demoram em aparecer, então a aspirina precisa ser tomada por um longo tempo. O período latente para a melhora em relação aos cânceres de pulmão, cérebro, pâncreas e esôfago foi de aproximadamente cinco anos com doses diárias de aspirina. Para o câncer estomacal e o colorretal, os efeitos demoraram dez anos — período que foi para 15 anos em relação ao câncer de próstata. Os meios pelos quais a aspirina previne o câncer não são plenamente compreendidos, mas acredita-se que ela inibe uma enzima que promove a proliferação celular em tumores. Os pesquisadores também descobriram que pequenas doses diárias de aspirinas eram suficientes, e que tomar mais de 75 mg não trazia benefícios adicionais. Aqueles que começam o tratamento com aspirina entre os 40 e 50 anos se beneficiam mais. As diretrizes em relação ao uso de aspirina para de reduzir as chances de derrames ou infartos também alertam sobre os pequenos riscos de úlceras e sangramento abdominal perigoso. Estas recomendações provavelmente deverão ser revisadas com as novas descobertas. Ainda é improvável, contudo, que a ingestão indiscriminada de aspirina seja recomendada a todos como suplementos vitamínicos. O tratamento com aspirina tem um alto custo-benefício: tomá-la por um período de cinco a dez anos supera facilmente iniciativas de procurar por cânceres de próstata e mama. Colocando de outra forma: pergunte-se o que uma empresa farmacêutica poderia cobrar por uma droga capaz de reduzir os riscos de câncer em 20% — e então repare que um suprimento de 100 dias de aspirina de baixa dosagem pode custar menos de um dólar. Inegavelmente, isto pode ser considerado uma barganha.
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