Porto Velho, 21 de Maio de 2012

ACRE

Reportagem que aponta o Acre como berço do oxi revolta parlamentares

26/04/11 às 09:38 | AC 24 HORAS
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A reportagem de O Globo que circulou em nível nacional, apontando o Acre, como o berço do oxi, e paraíso da prostituição infantil, revoltou o meio político do Estado. Depois do pronunciamento do senador Aníbal Diniz (PT), sobre os desdobramentos do assunto, os parlamentares resolveram quebrar o silêncio e falar sobre a matéria que foi considerada preconceituosa, mentirosa e sensacionalista.

Segundo os políticos do Estado, as denúncias não passam de uma tentativa de marginalizar o Acre, desviando atenção para os problemas que envolvem o tráfico de drogas nas grandes cidades. Alguns foram além e disseram que algumas frases e personagens grafadas na reportagem, apenas por uma letra e suposta idade, seria peça fictícia para dar veracidade a uma matéria carregada de preconceito.

Os mandatários destacam ainda, que o consumo de drogas na capital, Rio Branco, seria menor que o de uma casa noturna do Rio de Janeiro. As informações que as estradas que ligam a capital ao interior e ao estado vinzinho, Rondônia, supostamente estariam sendo usadas como ponto de prostituição, de crianças de 8 anos, que seriam forçadas pelos pais, a fazer programas, também causou revolta.

A vulnerabilidade das fronteiras é evidente, mas em termos de estado, todas as providências e trabalhos estão sendo desenvolvido para coibir o tráfico de drogas, na maioria dos casos, o Acre serve apenas como passagem de drogas, sendo que nenhum tipo de droga seria produzida ou criada nas cidades acreanas, como tentou passa a reportagem.

A abordagem sobre a suposta prostituição de crianças que perambulam pelas BRs 364, 317 e estrada do Pacífico é um tipo de sensacionalismo considerado irresponsável pelas autoridades do Estado. No que se refere à estrada do Pacífico, nunca foi registrado pelas autoridades locais, nenhum tipo de ponto de prostituição infantil.

A matéria em sua totalidade foi produzida em pequenos bares na beira do Rio Acre, onde a maioria dos problemas detectados é o alcoolismo de pessoas que vivem de pequenos serviços e, muitas vezes moram na redondeza, que se utilizam da bebida como forma de se isolar dos problemas do cotidiano.

Sensacionalista de Cabrini motiva fiasco em operação policial 

Esta não é a primeira vez que uma equipe de reportagem tenta retratar o Acre, como paraíso do trafico e consumo de drogas. Numa reportagem sensacionalista, o jornalista Roberto Cabrini, do SBT, procurou a sede da Polícia Federal no Acre, para denunciar o tráfico de drogas, próximo a sede da superintendência da PF no Acre.

Na oportunidade as denuncias do apresentador foi rechaçado pelo superintendente da Polícia Federal do Acre, na época, José Carlos Schalmers que informou ao repórter que o foco principal da PF não é combater atividades de pequenos traficantes e sim centralizar as atenções na desarticulação de organizações criminosas.

O material produzido por Cabrini motivou uma operação entre as polícias Civil, Militar e Federal, que foi um total fiasco, apreendendo um bêbado armado e um viciado com uma pequena quantidade de cocaína, demonstrando que as denuncias do repórter do SBT, seria apenas figuração para justificar os gastos de uma reportagem no Acre.

“No Acre, não aconteceu nenhuma apreensão de oxi” 

“Tudo não passa de sensacionalismo barato. A única apreensão de oxi, na região foi feita em Belém, numa pequena quantidade. Afirmar que o Acre é produtor desta droga é uma grande irresponsabilidade. No Acre, não aconteceu nenhuma apreensão de oxi”, diz o deputado Walter Prado (PDT), que também contesta os dados sobre prostituição infantil, destacando o trabalho preventivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), nos pontos de concentração dos caminhoneiros em Rio Branco.

O deputado que também é delegado afirmou que a repórter utiliza de ficção nas entrevistas. “Para o material ganhar veracidade, a repórter deveria se utilizar de personagens reais. Todo material é ilustrado com letras e idades, numa típica montagem dos depoimentos, além da confusão de locais que mistura o bairro Seis de Agosto, Judia, BR-364 e bares no centro da cidade”, enfatiza Walter Prado.

“Não podemos pagar pelo tráfico do Rio de Janeiro”

O deputado Eber Machado (PSDC) mostrou indignação com o material produzido pela reportagem de O Globo. De acordo com ele, o material é uma tentativa de desviar atenção dos problemas dos grandes estados com o tráfico de drogas, principalmente o Estado do Rio de Janeiro, onde as polícias tentam passar a imagem de que colocou fim a ação do tráfico de drogas, com a pacificação provisória de algumas favelas.

“Não podemos pagar pelo tráfico do Rio de Janeiro. Se eles querem passar uma boa imagem, que trabalhem, mas não tentem denegrir a imagem de um estado que tenta crescer de forma honesta e pacífica. Não acredito nessa agressividade do consumo de drogas, passado pela reportagem. Sobre a prostituição, acho que até possa existir casos isolados de crianças que se envolvam nessa prática, mas afirmo com certeza que as autoridades do Estado, sempre trabalharam para a inclusão das crianças em estado de risco social”, afirma Eber Machado.

“Prostituição não é motivada pelas drogas, mas pela falta de estrutura familiar”

A reportagem procurou o deputado Jamyl Asfury (DEM), representante da Polícia Federal no parlamento acreano, para que ele analisasse a reportagem sobre o consumo de oxi, e os dados apresentado sobre a prostituição infantil nas rodovias e vias públicas do Acre. O parlamentar afirmou que o maior problema no Acre é ser porta de entrada do tráfico. Sobre a prostituição de crianças, ele diz que não é motivado pelas drogas, mas pela falta de estrutura familiar.

“Pagamos o preço por sermos a porta de entrada. O consumo no Acre é um dos menores do país, mas ainda batemos cabeça quanto ao combate do problema. As polícias costumam agir quando os casos explodem. Na verdade temos que trabalhar na prevenção. No caos de prostituição, acho que são casos isolados, que não são motivados por droga, mas pela falta de estrutura familiar. Oportunidade para as drogas é para todos, mas temos que ter uma boa Bse familiar, para que este tipo de problema não faça parte da rotinas das nossas crianças”, destaca Asfury.

 

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