Julgar as pessoas é muito fácil. Só precisamos da acusação, e logo nos tornamos verdadeiros juízes. Por isso, devemos ter muito cuidado, pois nossos julgamentos são geralmente preconcebidos e contaminados por preconceitos. E acabamos cometendo injustiças ou desrespeito ao ser humano.
Mesmo uma pessoa considerada culpado na última instância da Justiça, merece respeito. Todo ser humano merece respeito! Até porque, não somos oniscientes, e nos baseamos no bater do martelo de uma Justiça morosa, e que também falha.
Um exemplo são as chacinas do Urso Branco, quando muitas pessoas receberam a sentença de morte por parte dos rebelados, antes mesmo de serem julgadas pela Justiça. Há casos de inocentes que foram assassinados, sendo que não deveriam estar lá.
Agora pergunto: ‘por que Augusto José é referência de ética no Jornalismo Policial de Rondônia ?’ A resposta é fácil: ‘ele trata os detidos pela polícia como acusados, e com respeito - independente de classe social’.
...E falando em acusação, quando é encontrada cocaína dentro do carro de um “zé qualquer”, é traficante, já os casos envolvendo pessoas famosas, muitas vezes são explicados como “armação” – como aconteceu com Roberto Cabrini.
Você sabia que os programas policiais que humilham os acusados têm grande audiência dentro dos presídios de Porto Velho. Muitos presidiários se divertem assistindo às comédias disfarçadas de jornalismo.
O motivo é que nesses referidos programas só são ridicularizados os chamados “vacilões”; os “bobos da corte“ do mundo do crime, que, ao caírem na cadeia, continuam sendo humilhados pelos “bandidos escolados”, sendo forçados a fazer os “serviços domésticos” dentro da cela.
Já os traficantes, por exemplo, os apresentadores e repórteres os tratam com mais respeito. É por isso que eles se divertem vendo os “vacilões” virando piada na TV. Se estou equivocado, me perdoe! De repente você assistiu a uma cena do “Barão do Pó”, Maximiliano Munhoz, sendo humilhado por repórteres de um desses programas.
Vamos falar de Wellington de Oliveira, que matou 12 crianças de uma escola em Realengo e se suicidou. O Brasil e o mundo odiaram o rapaz, mas, creio eu, que pouca gente se deu ao trabalho de pensar no universo de fatores que conspiraram para fazer dele um psicopata.
Segue uma análise que fiz e postei no Facebook dias após a tragédia:
COMO CRIAR UM PSICOPATA
- Criar um psicopata é muito fácil! É só tirar da criança, logo cedo, as pessoas que verdadeiramente a amam, a respeitam e a consideram; e formá-la com um histórico repleto de rejeições, ofensas graves, desrespeito, desconsideração, discriminação, exclusão social...;
- O resultado é que teremos um adolescente traumatizado, introvertido, e com todos os complexos possíveis: de rejeição, de inferioridade...;
- Depois é só conturbar a cabeça do garoto com pensamentos e teorias fundamentalistas e radicais, e o deixar passar a maior parte do tempo isolado e se alimentando de violência virtual (games como GTA, Counter-Striker, e RPGs macabros);
- O resultado final pode ser um Wellington de Oliveira, "o Monstro de Realengo", como preferem chamar. Já eu, prefiro pensar como o senador Acir Gurgacz, que declarou, em discurso no Senado, que Wellington é mais uma vítima.
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