Porto Velho, 21 de Maio de 2012

ACRE

DEDO DURO DO ESQUEMA DA OPERAÇÃO DOMINÓ: MÃE É AMEAÇA EM TER O MESMO FIM DA FILHA SE CONTINUAR A BUSCA-LA

Coração de mãe não se engana. A esperança é a última que morre. São nesses dois ditos populares que a cozinheira Maria de Nazaré da Silva, de 53 anos se apega para não deixar apagar da memória, a imagem da filha Maria Cristiane da Silva Lopes, hoje com 3

28/05/11 às 08:22 | JAIRO BARBOSA
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Coração de mãe não se engana. A esperança é a última que morre.  São nesses dois ditos populares que a cozinheira Maria de Nazaré da Silva, de 53 anos se apega para não deixar apagar da memória, a imagem da filha Maria Cristiane da Silva Lopes, hoje com 31 anos de idade, que desapareceu em 2001.

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O casamento

A história da separação entre mãe e filha começou quando Cristiane foi morar em Porto Velho (RO), onde conheceu Felipe Aurélio de Oliveira Delfino, hoje com 49 anos, com quem Cristiane conviveu maritalmente.

O início da união entre  os dois, foi também o ponto de partida da separação entre as duas. Dona Nazaré conta que na época, a filha foi á capital de Rondônia morar na casa de parentes. Durante os quartoze meses que passou lá conheceu Felipe Aurélio. Quando retornou ao Acre pela última vez, em 2001, Cristiane disse á mãe que iria se casar com ele. Nesse dia o coração de Dona Nazaré pressentiu que algo não iria acabar bem.

“Eu sou uma pessoa muito temente a Deus, e naquele dia que ela me apresentou ao Felipe, sentiu uma coisa ruim no meu coração. Parece que algo me dizia que aquele romance não iria acabar bem”, relembra a mãe.

Durante os primeiros meses do relacionamento, conta Dona Nazaré, a filha sempre ligava, dava noticias e falava que tudo estava bem. O tempo foi passando e quando os dois já estavam juntos  a quinze meses, as rosas viraram espinhos.

A última ligação

Uma  certa  vez, relatou a mãe, Cristiane ligou dizendo que Felipe a obrigava a assinar documentos, papeis  que ela sequer sabia do que setratavam.  A partir desse dia, o contato com a filha foi ficando cada vez mais raro.

No dia 18 de julho junho de 2002, Dona Nazaré ouviu a voz da filha pela última vez. “ Naquele dia que ela me ligou, ela disse que iria viajar para Goiânia, pra comprar roupas, era uma quarta feira. Perguntei se estava tudo bem, ela disse que sim,  e que na volta não ficaria mais em Porto Velho, viria morar comigo. Mas você sabe, coração de mãe não se engana,e  eu de novo pressenti que nem tudo estava bem. Me apeguei com Deus e pedi que ele protegesse minha filha”, conta Dona Nazaré, com as lágrimas rolando pelo  rosto.

No sábado da mesma semana, Dona Nazaré recebeu uma ligação. Do outro lado da linha, Felipe Aurélio de Oliveira, o marido, relatava  a sogra que sua filha havia desaparecido. Na mesma noite, uma irmã de Cristiane embarcou para Porto Velho não intenção de procurar por ela.

A procura desesperada

Desde que Felipe disse que Cristiane havia sumido, que Dona Nazaré e seus familiares iniciaram uma procura desesperada pela filha. Na rodoviária de Porto Velho, funcionários de uma empresa de ônibus confirmaram que ela comprou o bilhete de passagem, mas o embarque nunca foi confirmado.

Os meses se passaram e cada vez mais a busca se tornava infrutífera.

Informações desencontradas, trotes, alarmes falsos, tudo cruzava o caminho da família de Cristiane. A busca pela filha obrigou Dona Nazaré a percorrer várias cidades. Ela esteve em Guajará Mirim (RO), Brasiléia (AC), Humaitá (AM), mas o paradeiro da filha nunca foi descoberto.

Marido acusado de vários crimes

Meses depois do desaparecimento  da filha , Dona Nazaré, por meio de uma reportagem de TV, ficou sabendo que o ex-genro possuía uma extensa ficha criminal. Felipe Aurélio de Oliveira Delfino, responde na justiça pelos crimes de homicídio, estelionato, falsificação de documentos, formação de quadrilha e apropriação indébita. Era muita coisa pra cabeça de uma mãe desesperada.

Foi esse desespero que fez Dona Nazaré buscar auxilio na justiça de Rondônia. Ela esteve com o secretário de justiça da época e com policiais da 5ª Delegacia de Polícia, mas o que ouviu das autoridades daquele estado,  acabaram por apagar a chama da esperança de reencontrar a filha.

“Um dia, dentro da delegacia onde o Felipe estava preso, o delegado disse que ele iria confessar o paradeiro da minha filha. Pediu que eu voltasse no dia seguinte. Quando retornei, eles haviam liberado o Felipe. O delegado disse assim pra mim: Minha senhora, vá embora, asenhora não sabe com que tipo de gente está se metendo”, diz indignada.

As ameaças

A insistência da família em descobrir o que pode ter acontecido com Cristiane, irritou Felipe. Dona Nazaré disse que por diversas vezes recebeu telefonemas ameaçadores. Nas ligações, o interlocutor dizia para que ela parasse de incomodar, se não quisesse ter o mesmo fim da filha. Numa certa ocasião, revela Dona Nazaré, um  carro passou horas estacionado na frente de sua casa.

A esperança

Dona Nazaré é uma mulher forte, de fibra, de esperança. Ela conta que todos os dias se lembra da filha, de quem guarda ainda fotografias. No coração, o sentimento se renova com a fé de que um dia ela irá ficar novamente frente á frente com Cristiane. A certeza disso está nas orações que eleva dia e noite a Deus. Para quem tem esperanças, o tempo não apaga as marcas.

Informações

Caso alguém tenha alguma informação que posse levar ao paradeiro de Maria Cristiane da Silva Lopes, entre em contato pelo endereço eletrônico abaixo. Por questões de segurança o contato de família de Dona Nazaré não será revelado.

Jairo Barbosa – jbjurua@gmail.com

 

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