Porto Velho, 22 de Maio de 2012

ACRE

Facilidade de acesso acumula cerca de 400 haitianos na fronteira do Acre

Sem fiscalização em ponte, taxis bolivianos estão ‘despejando’ haitianos no Brasil

13/11/11 às 18:32 | ALEXANDRE LIMA, O ALTO ACRE
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O pequeno hotel virou uma espécie de república do Haiti. Parada obrigatória para uma nova vida. Foto: Alexandre Lima

A cerca de um ano atrás, chegava menos de 10 haitianos por dia na pequena cidade de Brasiléia, localizada na fronteira do Brasil com a Bolívia, no estado do Acre. Havia dificuldades burocráticas no posto fiscal na cidade de Assis Brasil e fazia com que ficassem dias esperando o visto na cidade de Iñapari, no Peru.

A migração até fez com que políticos do Acre olhasse a situação de perto e prometessem alguma ajuda, as promessas ficaram apenas nas fotos para a imprensa. Por meses, ‘moraram’ nos ginásios de esporte de Brasiléia e Epitaciolândia até as prefeituras pedirem de volta.

Daí, o Governo do Acre assumiu de vez os cuidados dos que ficaram esperando os documentos (CPF e Carteira de Trabalho) e exames médicos. Com o arrendamento de uma pequeno hotel no centro de Brasiléia, esperava-se amenizar a questão logística e alimentação antes de partir para Rondônia ou  estados no Sul do Brasil.

 

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Até o dia 17 de outubro passado, os refugiados recebiam duas refeições por dia, o almoço e a janta. Receberam uma visita do ex-deputado federal Nilson Mourão, recém empossado na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre, que se deslocou até Brasiléia e se reuniu no coreto da praça Ugo Poli para dizer que, além do almoço e jantar, iriam receber o café da manhã. Ficou apenas na promessa.

Os mesmos que já estavam na cidade a cerca de dois meses esperando o CPF e Carteira de Trabalho, passaram a ter que dividir os quartos e colchões com os outros que vem chegando a cada dia. No final do mês de outubro e início de novembro, no prazo de uma semana, mais de 200 chegaram em Brasiléia.

 

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Dia da promessa do café da manhã por Nilson Mourão que nunca chegou - Foto: Alexandre Lima

 

Outro ponto que chama atenção na chegada dos haitianos que estão fugindo da miséria de seu País, é a facilidade em desembarcar em Brasiléia. Taxistas bolivianos estão sendo ‘contratados’ na tríplice fronteira para leva-los até o Brasil, por estradas de chão pelo meio da selva.

De alguma forma, a entrada vem sendo impedida pela cidade de Assis Brasil, na Fronteira com o Peru. Quem for pego transportando haitianos pela BR 317, poderá ser preso, responder processo e pagar altas multas, fazendo com que procurem outras rotas.

Mas, aproveitando da ausência dos soldados da Força Nacional na ponte Wilson Pinheiro, que aliás, se perguntam a real função desse militares na fronteira, já que quem faz esse trabalho é a Polícia Militar do Acre sem receber diárias, somente neste sábado, dia 12 de novembro, chegou quase 50 em quatro taxis bolivianos por volta das 5 horas da madrugada.

A burocracia no serviço de imigração e a falta de funcionários, está fazendo com que haitianos passem a mudar o ritmo e meio de vida das cidades de Brasiléia. O pequeno hotel no centro de Brasiléia já está sem espaço e os que chegaram por último, estão dormindo pelos corredores, amontoados nos quartos ou até mesmo ao relento.

 

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Falta de espaço faz com que dividam um colchão para solteiro. Foto: Alexandre Lima

 

Caso o governo Federal não tome alguma atitude sobre o caso e os políticos deixem de tentar fazer política aproveitando da situação que é de extrema urgência, a cidade de Brasiléia juntamente com Epitaciolândia, se tornarão uma colônia de refugiados.

Sem trabalho ou outro tipo de ocupação, irão passar a ser alvo dos narcotraficantes que recrutam ‘mulas’ para levar drogas a outros países ou regiões do Brasil. Lembrando que o Haiti é uma colônia francesa, mas, a França nos os querem por lá e sequer ajudam de alguma maneira.

 

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Enquanto a oportunidade de uma vida melhor não chega, passam o tempo nas cartas. Foto: Alexandre Lima
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A esperança é registrada num pedaço de papel direcionado ao setor de migração. Foto: Alexandre Lima
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