Com o decreto do 3º PNDH, já bastante criticado – o que demonstra que a
Sociedade Brasileira conhece os limites do “non sense” que tomou conta do
Estado Brasileiro – acrescendo o firme encaminhamento da compra dos caças
franceses (talvez, neste momento, a martelada presidencial já tenha sido
confirmada) demonstra claramente que o Brasil deixou de ser uma Nação
Democrática para se tornar uma Nação Autocrática.
Pouco importa para um governo autocrático se o custo de manutenção e o preço
final forem maiores do que o dos caças suecos e americanos; pouco importa ao
mesmo governo a condição de ser o pior dos caças escolhidos por
especialistas do setor e da Força Aérea Brasileira. O que importa é que o
Chefe – o governante autocrático - decidiu e pronto. Vai se alegar de tudo:
razões de Estado, geopolítica, diversificação de parceiros estratégicos, o
que seja para justificar uma compra que, pelos enunciados acima, será
péssima para o País. Vale lembrar que nenhum outro país comprou o Rafalle.
Clara evidência de que o Estado Brasileiro desenvolveu paulatinamente,
graças ao modelo de organização que já era excessivamente centralizado, o
conceito do Direito do Estado. Uma boa prova disso, além do caso dos caças –
sem mencionar tantos outros – está na empurrada autocrática de um plano
desenhado com as belas cores dos Direitos Humanos. Mas justamente estes
serão os primeiros a serem suprimidos, como bem percebido por boa parte da
Sociedade esclarecida. O malfadado Plano pode ser melhor cognominado de
Plano de Direitos Desumanos, pois afeta os principais pilares de uma
sociedade aberta, dentre os quais, o Estado de Direito, suplantado pelo
“Estado das Conferências”, uma espécie de repetição do Estado Soviético
(Organização de Trabalhadores Soviéticos organizada por Trotsky em 1905. Um
conselho popular de estrutura livre que defendia uma forma de governo
socialista e atuava como oposição ao governo sectário dos czares.
Muito já foi comentado na imprensa, ainda bem, mas, tem mais... o projeto de
lei que pretende forçar as empresas a dar participação nos lucros em 5% aos
empregados. Embora se revista de uma beleza humanista tão cultivada pelas
correntes do proletariado revolucionário, é mais uma aberração revestida sim
de grande injustiça, pois os empregados não são sócios das empresas, recebem
salários pelo seu conhecimento, sem riscos, e nada investiram para obter
retorno de capital. Para entender essa injustiça basta se colocar do outro
lado do balcão. Mais um elemento que se junta à formação de um Estado que
caminha para o cometimento de futuras desumanidades tais como foram e são
cometidas em experiências sociais – ou socialistas – similares na História
do Mundo.
Fica cada vez mais evidente que os conceitos de descentralização federalista
e autonomia local, com responsabilidade local, devem ser conhecidos como
alternativa a se contrapor à caminhada tétrica à qual foi colocada esta
Nação, muito embora importantes pensadores, artistas, intelectuais,
empresários, membros da imprensa em geral, não estejam calados. Mas não
basta isso, é preciso de uma vez por todas, eliminar a causa dessas
maluquices, que está tão somente no modelo centralizado do Estado
Brasileiro.
Não se sabe se o 3º PNDH foi ou é um balão de ensaio, ou a aplicação de uma
dose mais forte e significativa das inúmeras doses homeopaticamente já
administradas pelos governos centrais, em especial os dos últimos 15 anos,
com sua pretensão de criar uma plutocracia social ou seja lá o que for.
Governo e grandes grupos empresariais andam de mãos dadas acertados que
estão em seus interesses – poder e dinheiro. Coisas que só acontecem em
países centralizados. Países que se tornam reféns de grupos plutocráticos,
tornam refém, na verdade, o Povo. Direitos de poucos, Direitos Desumanos
para muitos.
Thomas Korontai é presidente nacional do Partido Federalista (em formação)