Porto Velho, 23 de Maio de 2012

DIREITO DE TODOS

O crime da fofoca e o puxa-saco no serviço público: Assédio Moral

Os políticos (salvo raríssimas exceções) adoram os puxa-sacos por serem adeptos da pratica da bajulação. Esta figura desprezível, dentro de sua versatilidade, consegue interpretar e conviver com a maior tranquilidade. Ele é servil, dedicado, submisso, esf

08/01/12 às 19:21 | Paulo Ayres
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Rondônia tem sido mesmo um paraíso dos espertalhões, dos dissimulados, do falso moralismo, aonde se prega uma coisa, e na prática é outra. O "pequeno" está sem defesa, humilhado, massacrado, sem esperanças, e tem obrigatoriamente que ficar calado, afinal, a cada quatro anos, aparece certos "deuses", que na realidade, são típicas encarnações diabólicas. Enquanto os puxa-sacos ocupam espaços na administração pública, os servidores públicos ainda convivem com o malefício da fofoca.

A mensagem é repassada como verdadeira, irrefutável. Mas basta procurar se averiguar a fofoca que a história fica assim: disseram-me, alguém que não me lembro do nome foi quem falou, ouvir dizer mas não sei onde, não falei nada, etc. O estrago já está feito: o desgaste profissional e moral é imediato. A vítima da fofoca é “julgada e condenada” sem direito a defesa por seus próprios companheiros às vezes. Assim esta “doença”, popularmente conhecida como fofoca vai contaminando o serviço público, e na Assembléia Legislativa de Rondônia tem sido um criadouro espetacular. Mas o problema se espalha pelo governo, prefeituras e câmaras.

A cada dia novas ocorrências de lamentáveis casos de prejuízos de servidores públicos em decorrência da ação de uma fofoca, da falta de escrúpulo de um espertalhão ou da sandice de um desprezível puxa-saco. A fofoca é crime de assédio moral, e tipificada criminalmente no rol da calúnia, injúria e difamação. Infelizmente, a grande maioria dos políticos, principalmente os detentores de mandatos, adora a companhia de um assessor puxa-saco, a tradicional figura do bajulador.

Mas a vida do servidor público não é uma tarefa fácil mesmo, pois ainda tem que conviver com falsos moralistas, picaretas, hipócritas e espertalhões. O serviço público rondoniense agoniza-se. O puxa-saco, também conhecido por lambe-botas, baba-ovo, xeleléu, chaleira ou qualquer outro nome que se queira dar, é aquele elemento (homem ou mulher) que conserva o incontrolável hábito de não medir esforços para agradar alguém, de preferência superior na hierarquia. Os danos em alguns casos são irreparáveis. Funcionários são colocados em funções marginais, perseguidos ou até mesmo demitidos por conta da falta de escrúpulo de um maldito puxa-saco.

No âmbito da administração pública, em seus diferentes níveis – federal, estadual e municipal, pode se verificar a institucionalização do puxa-saco. "Endeusar" o chefe é o mais corriqueiro. Tem puxa-saco espalhado em todo o Estado, e com disposição de fazer rigorosamente qualquer coisa para agradar o chefe. O fato é tão preocupante, que seguidas vezes, os gestores têm errado por conta de se deixar influenciar pela ação destes assessores, que via de regra, despreparados, buscam nesta vergonhosa ação, aproximar-se ainda mais do poder, eliminar concorrentes ou eventuais ameaças e assim sendo se firmarem em suas posições ou cargos.

Para o puxa-saco vale tudo, o que importar é agradar o chefe. Alguns conseguem se sobressair de tal forma que viram até mesmo autoridade. Outros são tão apelativos que quase sempre deixam seus superiores em situação comprometedora ou constrangedora. O preocupante é que o puxa-saco na ânsia de ganhar a estima e atenção do chefe acaba prejudicando seus companheiros de trabalho. Por causa do puxa-saco, são incontáveis os registros de pessoas perseguidas na administração pública. Na grande maioria das vezes, as vítimas "julgadas e condenadas" sem direito a defesa, não sabem por que foram exoneradas ou demitidas, e quando sabem, não conseguem ter acesso para expor sua versão a respeito dos fatos.

É preciso então, atenção redobrada para diagnosticar prematuramente um vírus desta estirpe. Um puxa-saco profissional pode ser detectado à distância. Suas características principais: acentuada flexibilidade na coluna, pronta para concordar com tudo em forma de complemento oriental; o excessivo derramamento de elogios, sugestões (mesmo descabidas); sorrisos e ternura com o ser protegido, podendo ainda, em situações de contrariedade, tornar-se agressivo na defesa de seu ídolo.

Os políticos (salvo raríssimas exceções) adoram os puxa-sacos por serem adeptos da pratica da bajulação. Esta figura desprezível, dentro de sua versatilidade, consegue interpretar e conviver com a maior tranquilidade. Ele é servil, dedicado, submisso, esforça-se ao máximo para agradar, e submete-se a qualquer sacrifício. O profissional de bajulação torna-se tão versátil que, mesmo em ocasiões de troca de poder, facilmente consegue inverter a situação a seu favor. Não importa o vencedor do pleito. Tipo camaleão, transforma-se rapidamente em fervoroso defensor da bandeira de quem esteja comandando. O maldito tem uma carreira mais rápida no âmbito da área política, em todos os níveis, pois via de regra também se utiliza do artifício da fofoca. Suas atitudes são escamoteadas, nos bastidores, atingindo sem defesa alguma suas vítimas.

Por conta da fofoca ou de boato, (como queiram) servidores são menosprezados ou simplesmente ignorados por gestores públicos (nos diversos organismos públicos). Altas autoridades têm sido também vítimas passivas de informações distorcidas, induzido-as ao erro ou a injustiça. Muitas decisões infelizmente têm sido tomadas com base unicamente em fofocas ou em pareceres medíocres, fabricados sob medida.

O que muitos desconhecem é que além das questões relacionadas à calúnia e difamação, a fofoca no âmbito institucional, deve ainda ser considerada como uma ocorrência de assédio moral. Analisando as ocorrências políticas e os fatos históricos, podemos chegar efetivamente a triste conclusão de que este mal está vencendo no Estado de Rondônia. Os "espaços" para o bom profissional, a valorização de servidores, o respeito para com o cidadão simples, perde para aqueles inescrupulosos que por pressão, chantagem ou através da fofoca acabam mesmo assumindo posições e posições. No campo político-administrativo, parece até que quanto mais safadeza tiver no currículo, mas chance tem de galgar altos cargos ou altos salários.

O certo é que o mal está vencendo, porque os filhos das trevas são habilidosos em suas artimanhas e armações. Se o mal está vencendo é ainda um sinal para os Filhos da Luz, que em muitas das vezes, ficam aguardando que os seus problemas sejam resolvidos sem a sua participação. Enquanto presenciamos de forma angustiante, o mal proliferando, os bandidos sempre se dando bem, os picaretas cada vez mais organizados, os ladrões de luxo seguramente protegidos, os falsos defensores fazendo seus acertinhos, e os políticos hipócritas com aquela cara de imundice, nos resta apenas clamar a Deus, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda dignidade no serviço público.

Senhor Nosso Deus, eterno, grandioso em bondade e justiça. Neste momento elevamos os nossos pensamentos a Ti, Senhor, em oração pela nossa Rondônia. Pedimos ó Pai, a tua proteção constante sobre as nossas crianças, os jovens, e os adultos, e ainda, em relação aos coitados dos servidores públicos. Rogamos a tua graça. Derrama Senhor a tua sabedoria, despertando sobre as autoridades, os sentimentos do respeito, da bondade, do reconhecimento e da retidão, para que eles possam governar os municípios e este Estado com justiça e competência. A todos nós, Pai Eterno cobre-nos com o teu Santo Manto de misericórdia. Esta é a nossa oração em nome de Jesus Cristo. Amem!

  

Por Paulo Ayres: Servidor Público, Jornalista, Radialista, Professor,  e Tecnólogo em Gestão de Recursos Humanos. Celular: 8116-9750. Email: pauloayres_jornalista@hotmail.com

 

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